O que é Obi? Para que serve o Obi?

Primeiramente, Obi é uma fruta? Um fruto? Uma semente? 

Também popularmente conhecido como “noz de cola” a maioria dos africanos se lembra dele como um fruto parecida com a noz. Sua aparência é bastante estranha para nós brasileiros. Alguns deles tem sabor amargo, mancha seus dentes e irrita as gengivas como se a pinicassem. Outros são adocicados.

Por fim, Obi no Yorubá significa: colocar para fora, eliminar,tirar, excluir…

O Obi para os africanos

Por outro lado, para os africanos nascidos na África, “obi” (palavra yorubá para esta fruta africana única), é um elixir saboroso, estimulante e refrescante. Ele serve para reduzir o cansaço, bem como é um facilitador sagrado da religião iorubá. Do mesmo modo, o usam em ocasiões sociais, como dom divino de Deus, ele é visto como uma metáfora para felicidade e boa comunhão, trazendo alegria e conforto para a celebração das passagens mais importantes da vida. Elas vão desde cerimônias, casamentos e funerais, até uma variedade de celebrações de iniciação, de bori, coroação e etc., aos complexos e tradicionais rituais de iniciação ao sacerdócio tradicional.

Ainda que todos o conheçam no Ocidente como o ingrediente principal da cola, vinho e bebida, na África, ele é o considerado como o melhor dos presentes ou oferendas e geralmente dado com grande cerimônia. Quando as orações tradicionais são pronunciadas e oferendadas, é o Obi que é segurado gentilmente nas mãos pela pessoa que o oferece, como se fosse o próprio ouvido de Deus. Por fim, a sua presença garante tranquilidade e paz coletiva. Um dos ditados mais conhecidos e populares entre as centenas de grupos étnicos na África Ocidental é “Quem traz cola traz alegria”.

E, de fato, os yorubás e muitos outros veem o Obi como um “oráculo” sagrado por meio do qual quase qualquer pessoa pode conduzir um diálogo de mão dupla com Deus. Enfim, é um “sacramento” uma espécie de Sagrada Comunhão. E é esse aspecto do fenômeno que conhecemos como Obi

Desmistificando o uso e ensino do Obi

Baale Olokunmi Egbelade, em seu livro, desmistifica esse caminho aparentemente secreto e fechado. Ele o define como uma das maneiras para chegar, e do mesmo modo, falar com “Deus”. Ao contrário das escrituras divinas de Ifá e Odu Erindinlogun, que são acessíveis e ensinados apenas a sacerdotes totalmente iniciados e treinados. Em contrapartida, o uso sagrado dele está disponível para todos os homens e mulheres que entendem sua linguagem peculiar e comparativamente simples.

Por fim, na África as crianças, independente de iniciação, podem e aprendem a jogar e interpretar o Obi. Esse conhecimento tenho que agradecer ao curso e ao Babalaô Ifátokun, do Ilê Ase Ifatokun situado no Rio de Janeiro que promove o culto a Orunmilá/Ifá e Orixá. Bom, para falar a verdade não só esse conhecimento. Nesse curso aprendi também sobre o devido respeito que se deve dar a ele. Do mesmo modo aprendi como fazer os rituais para seu uso na advinhação. Da mesma forma, aprendi quais são seus tipos, sua anatomia, suas caídas e significados e etc.

Veja aqui o Curso de Obi, o Primeiro Oráculo de Olodumare

Obi, a fruta que fala

A princípio é bom saber que o Obi está em toda parte da África. Portanto, você verá pessoas mascando-o, pessoas os dando aos transeuntes, como um presente especial, os dando a bebês recém nascidos e a crianças e etc. Enfim, ele é considerado uma refeição presente especial. Assim sendo, ele é um alimento sagrado, enviado por Olodumare para nos lembrar da simplicidade da complexa criação deste mundo. Por fim, o verdadeiro fenômeno do Obi é que virtuosamente todos os africanos, independente da cultura, língua e religião, reconhecem que ele é algo extremamente importante e especial.

Então, como Obi se tornou tão especial? Uma passagem das famosas lendas orais Yoruba, conhecida como Ifá, descreve Obi como o mensageiro sagrado de Deus.

Então, novamente, o que exatamente é esse mistério que conhecemos como Obi

É uma fruta gordurosa e amarga, mas muito apreciada. A colhem em áreas florestais bem irrigadas em toda a África Ocidental, geralmente perto de rios localizados no interior. Atualmente, o Obi é cultivado em fazendas grandes e pequenas que cercam até os shopping centers na África.

Enfim, estas grandes frutas acastanhadas, que contém dentro os frutos verdes, no início da estação chuvosa tem sua colheita realizada. Ele é transportado de caminhão para grandes centros comerciais e é então reembalado e transportado, ainda maduro para os milhares de mercados que se multiplicam em milhares de cidades e vilas da África Ocidental. Possui diferentes variedades, tamanhos e cores. Em suma, evidências puramente locais e, claro, lendas espirituais, determinam qual tipo é o mais popular em uma localidade.

Obi

No Brasil, podemos encontrá-lo em Lojas de Artigos Religiosos, ou casas de Umbanda como popularmente chamamos. E, até pela Internet. Caso você tenha interesse em comprá-los, seguem aqui os links para essas lojas:

Africano – Noz De Cola Semente
Noz De Cola (Nacional) 24 Sementes

OS TIPOS DE OBI:

Enfim, o Obi é uma semente cujo fruto é semelhante, na sua parte externa, ao cacau. Este fruto pode conter sementes (Obi). por fim, os melhores Obi encontram-se no oeste da África.

ABATA OU APA (APÁ)

Em primeiro lugar, para a nação Yoruba, existem três tipos de noz de Cola. O primeiro, e mais conhecido, é Obi Abata (a noz de cola de quatro ou cinco gomos). O Obi Abata, assim como os outros tipos, é especialmente popular como um aperitivo estimulante.

No entanto, Obi Abata é mais conhecido como um mediador entre Olodumare, os Orixás e os ancestrais de um povo. Na tradição Yoruba, foi Obi Abata quem foi ordenado por Olodumare para ser seu Mensageiro especial. Enfim, Obi “fala” pelos Orixás através de um Oráculo especial dado a Exu Lagana e trazido à Terra por Oxum.

Ademais de seu significado espiritual (se conhece o Obi como uma proteção contra várias forças negativas), muitos o usam para aplicações medicinais.

Em Igbolan, na África, Obi Abata é chamado de “Orji” e, é comumente usado para adivinhação. Os Igbos consideram o Orji absolutamente indispensável em todas as ocasiões importantes, que vão desde as instalações de uma empresa até a recepção de visitantes comuns. Por outro lado, Obi costuma ser “aberto” antes de uma disputa de bebedeira de vinho de palma ou cerveja comum. Além disso, como acontece com Yorubas, Hausas e outras tribos, os Igbos usam Obi Gbanja para curar doenças. Obi ABATA 

Pode ter 2, 3, 4, 5, 6 ou 8 gomos. No culto de Ifá, não se utilizam Obis com mais de quatro gomos para a adivinhação. Porém ,em outros cultos, existe a possibilidade de usar Obis com mais gomos que 4 (a exemplo: culto de Exus em Osogbo, onde se usa o Obi de 5 gomos).

Por fim, é comum usá-lo para adivinhação, assim como prevenção contra o mal. Entretanto, não o usam para fazer remédios pois oxida e escurece muito rápido.

GBANJA (BÂNDJA)

Em segundo lugar, e segundo em popularidade entre os Yorubás e os igbos é o Obi Gbanja (cola de dois lados). Eles o usam quase que exclusivamente como estimulante. Entre os Hausas, entretanto, eles chamam o tipo Gbanja de “Guoro” e o usam como um energético e também como presente. Eles também o utilizam cerimonialmente durante casamentos e cerimônias de nascimento de crianças. Entretanto, os Husas às vezes usam o Gbanja para jogar um tipo de jogo bem estridente.

Possui apenas 2 gomos. Na África não o usam para adivinhação, somente para comer ou para fazer ebó. No entanto, no Brasil, muitos o usam comumente para esse fim.bândja

Muitos o utilizam para remover doenças. Da mesma maneira, os orixás podem pedi-lo como sacrifício através da leitura feita com o Obi Abata. Assim, o utilizam para fazer remédios, por isso existe um ditado Africano que diz, “Olhe para a cola que você come”. Ou seja, ao olhar você saberá qual poderá usar para comer ou fazer remédios.

Conheça aqui o Curso Ebó seus caminhos e seus elementos

OLOYO

Obi Oloyo, tem uma textura viscosa e parecida com cará. Essa textura esta em sua “carne”. Com ele são feitas medicinas e os povos da África Ocidental também o usam espiritualmente.


Em Gana, o o chamam de Bici e. Comumente o usam em casamentos e funerais.

Também o usam quando alguém está doente ou com problemas. É um tipo viscoso de Obi que fica pegajoso quando comido.

IFIN

Possui apenas 2 gomos. Normalmente o usam para ebó ou bibo.

ABATA IFIN

Possui apenas 4 gomos. Ele é considerado uma oferenda exclusiva para Obatala.

ABATA PUPA

Possui apenas 4 gomos. O vermelho é sua cor predominante. O usam para rituais para Orixás, Ancestrais e Ebós.

EDUN

Cola de Macaco, com cor vermelha. É muito saboroso. Não o usam em rituais.

AJOOPA

Por último, este é um Obi grande e doce e com qualidade superior.

Cores mais populares

  • Em primeiro lugar, o branco, usado para comer,
  • Em segundo lugar, o roxo, encontrado muito no Brasil. Para torná-lo branco, o colocam em alvejante, com isso ele perde a cor, ficando branco. Sem sua casca roxa, é conservado na água. Por conseguinte, também o chamam de Obi d´água,
  • Em seguida, o rosa, usado em rituais, ebós e adivinhação e
  • Por fim, o amarelo, usado para ebó.

Usados como remédio

GBANJA (BÂNDJA) – Possuí Muita cafeína, portanto evite usá-lo a noite. Para evitar insônia. Muitos o utilizam para combater depressão ou hipertensão, mas de forma bem temporária. Portanto, tome cuidado com essas propriedades.

Sexo do Obi e Métodos de Adivinhação

Em um dos métodos de adivinhação é classificado em masculino e feminino.

Em algumas explicações, podemos encontrar a explicação que ao partir um Obi, alguns consideram os menores como Masculinos, e os maiores como Femininos.

No entanto, outros creem que os Obis com chanfro são femininos (fêmea) e os sem chanfros masculinos (machos). No Brasil este é o modelo de gênero mais aceito.

A parte mais escura ou sombreada são as costas (fechado), enquanto o lado mais claro é considerado a frente (aberto).
Às vezes, o obi tem cinco, seis ou mais partes. Quando isso acontecesse, os Babalaôs ou Olorixás removem as partes adicionais e em muitos casos oferecem essas partes a Exu. 

Outro método, utiliza suas caídas associadas aos Odus.

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Uso nos Rituais de Candomblé e Ifá no Brasil

Agora que já sabe mais sobre este fruto, vou falar um pouco do uso dele no Candomblé ou em Ifá segundo este texto copiado da Wikipedia.

“Ele é um fruto indispensável em rituais do candomblé, também conhecido como Noz-de-cola, seu nome científico é Cola acuminata. Usado principalmente no ritual de Ori, Ebori, feitura de santo e Jogo de Obi.[1][2]

Uso ritual

O Povo do Santo com certeza já ouviu a expressão “eu comi do seu Obi”, em afirmação e confirmação de que esteve presente no ritual pelo qual a pessoa passou. O Obi é um fruto sagrado presente em 99 % dos rituais do Candomblé, por esta razão cercado de muito mistério, conceitos, mitos e tabus. Corre uma nota na internet que: “Obi não pode ser cortado com faca”, fato aceito e passado por muitos sacerdotes renomados de forma errônea.

Quando o correto era dizer que: “antes do Obi responder alafia não poderia ser cortado” isso para qualquer tipo de Obi; de duas, três, quatro ou mais gomos, até porque o Obi para ser sacrificado ele tem que aceitar a sua condição de sacrifício, mas depois deve ser sacrificado sim e não de qualquer forma, deve ser sacrificado pelo local onde ele iria nascer, justamente no broto, lugar onde iria germinar e tornar-se uma árvore (O sacrifício é justamente este, impedir dele se tornar uma árvore em nome do ritual que está sendo feito).

Obi

Obi – Cola Nut africana

Todo Obi deve ser tratado com muito carinho e respeito, igual a um animal de duas ou quatro patas, deve estar limpo e sem nenhum ferimento e o seu sacrifício deve ser rápido e preciso no local já mencionado, caso contrário seria como sacrificar um animal pelos pés ou barriga ou caso contrário, deixando o animal ferido sem ter a ideia de quando iria morrer.

Depois de sacrificado as farpas do seu futuro broto deve ser mastigado pelo sacerdote juntamente com o ataré (pimenta da costa) e proferido o Ofó de Obi para que seu sacrifício e objetivos sejam aceitos e torne-se realidade, servindo em seguida aos ancestrais, Ori e Ara (cabeça e corpo) do indivíduo e seu Orixá, o restante pode ser colocado no Igbá Orixá, partes dele ou total, quando oferecido partes dele o restante deve ser fatiado com faca e servido a todos os presentes, as vezes só com água, com mel ou melaço. O único Orixá que não permite o uso da faca no sacrifício do Obi é Nanã, neste caso pode ser tirado o seu broto com os dentes ou unha do dedo polegar e indicador e evita-se a distribuição com os demais.”

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Amém, Shalom, Axé, Namasté, Haux, Aloha, Optc

Escrito por: Homero S Mônaco F é publicitário, atua na área de marketing e marketing digital, possui MBA em gestão empresarial. Estuda e se aprofunda sobre os oráculos e assuntos místicos e esotéricos desde os 15 anos de idade.

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